Tomam vida as obras de Caravaggio, na Catedral de Santarém

Tomam vida as obras de Caravaggio, na Catedral de Santarém

Tomam vida as obras de Caravaggio, na Catedral de Santarém

Tomam vida as obras de Caravaggio, na Catedral de Santarém

Ao som de melodias barrocas de compositores como Mozart, Bach, Vivaldi e Sibeliu, a companhia italiana “Ludovica Rambelli” recriou esta noite, dia 13 de abril, na Catedral de Santarém, 23 quadros vivos, feitos a partir da obra do pintor italiano Michelangelo Merisi, conhecido como Caravaggio (1571-1610), considerado uma das figuras mais revolucionárias da história da arte.

Perante uma Catedral repleta, o espetáculo intitulado “La Conversione di un Cavalo”, apresentou um único ponto de luz (característico das obras de Caravaggio) que iluminou toda a cena criando uma moldura imaginária, num registro de temas religiosos e mitológicos, na qual os oito atores em palco ficam imóveis em poses expressivas que podem sugerir uma estátua ou uma pintura.

O género quadros vivos - traduzido do francês tableaux vivant -, teve a sua popularidade entre 1830 e 1920. Tipicamente, o elenco das personagens representava, em palco, cenas da literatura, da arte, da história ou da vida quotidiana.

“La Conversione di Un Cavalo”, marcou o arranque da programação da Semana Santa em Santarém.

A uma hora do arranque do espetáculo a fila já se perdia de vista, na Praça Sá da Bandeira.

Foram cerca de 500 pessoas que não quiseram perder esta original performance teatral com um grande impacto visual e com uma cenografia fascinante, onde os corpos dos atores vestidos com tecidos drapeados e usando objetos do quotidiano, recriaram algumas das mais icônicas cenas pintadas por Caravaggio. Cada cena que se vai construindo e desconstruindo emana uma força e uma intensidade que nenhuma das outras consegue igualar.

Ao longo de mais de 40 minutos, o grupo de atores italianos deu movimento e um novo sentido aos quadros do pintor italiano, que assim ganharam uma nova dimensão estética e trouxeram para o presente obras que testemunham vivências de outrora.

As mudanças de quadros como “O Sepultamento de Cristo, chamado também de “A Deposição de Cristo”, “Maria Madalena em Êxtase”, vulgarmente conhecida como “Madalena Klein”, “A Morte da Virgem”, “A degolação de São João Batista”, “Judite e Holoternes”, “Flagelação de Cristo”, “Anunciação”, “Adoração dos Pastores”, “Descanso na fuga para o Egito”, “Ressurreição de Lázaro”, “Baco” e “São Francisco em Êxtase, entre muitos outros, foram feitas todas à vista, marcadas ritmicamente pela música.

Para além das impactantes e gráficas, muitas vezes violentas e até assustadoras cenas dos quadros de Caravaggio, ninguém ficou indiferente a este espetáculo de extraordinária beleza.

O foco dos quadros vivos é sem dúvida a pose, a luz, o figurino e as maquiagens – a fim de trazer perfeição às reproduções.

Este trabalho nasceu em 2006, graças a um projeto educacional da Faculdade de Arquitetura Luigi Vanvitelli, desenvolvido por Ludovica Rambelli.

Após a primeira apresentação, a sua força cénica foi clara e forte, marcando logo presença no Festival Maggio dei Monumenti do Museo di Capodimonte, em Nápoles, nas edições de 2008, 2009, 2010, 2011, e por toda a Itália em museus, galerias, praças e igrejas.

Hoje, a Cia Ludovica Rambelli é residente permanente do Museu Diocesano, na Igreja Donnaregina Nuova, em Nápoles.

De referir que as obras de Caravaggio são reconhecidas pela expressividade dramática dos personagens e pela técnica chiaroscuro, o jogo de luz e sombra.

Caravaggio viveu e trabalhou em diversas cidades, entre elas, Nápoles. Este pintor italiano transportava para a tela o charme mórbido da cidade, e ficou conhecido por usar modelos vivos para suas pinturas.

400 anos depois, a arte dele ganha nova forma pelo mundo.

Lista de obras representadas

1. La Deposizione (1602-1603) Musei Vaticani, Città del Vaticano

2. Estasi di maddalena o Maddalena Klein (1606) Collezione privata

3. Crocefissione di Pietro (1601) Cappella Cerasi, Santa Maria del Popolo, Roma

4. Decollazione del Battista (1608) Cattedrale di San Giovanni, La Valletta, Malta

5. Morte della Vergine (1604) Museo del Louvre, Parigi

6. Giuditta e Oloferne (1599) Palazzo Barberini, Roma

7. Incredulità di Tommaso (1600- 1601) Bildgallerie di Postdam

8. Flagellazione (1607-1608) Museo di Capodimonte, Napoli

9. Sacrificio di Isacco (1602) Collezione Cremonini

10. Martirio di Matteo (1600) Cappella Contarelli, San Luigi dei Francesi, Roma

11. Annunciazione (1609-1610) Musée des Beaux-Arts, Nancy

12. Adorazione dei Pastori (1609) Museo Nazionale, Messina

13. Riposo durante la fuga in Egitto (1595-1596) Galleria Doria Panphilj, Roma

14. Madonna dei Pellegrini (1604-1606) Sant’Agostino, Roma

15. Santa Caterina d’Alessandria (1597) Museo Thyssen-Bornemisza, Madrid

16. Narciso (1599) Palazzo Barberini, Roma

17. Giovanni Battista (1604) Nelson-Atkins Museum of Art, Kansas City, Missouri

18. Seppellimento di Santa Lucia (1608) Santa Lucia, Siracusa

19. Martirio di Sant Orsola (1610) Palazzo Zevallos, Napoli

20. Resurrezione di Lazzaro (1609) Museo Nazionale, Messina

21. La Maddalena (1594-1595) Galleria Doria Panphilj, Roma

22. San Francesco in Estasi (1594-1595)Wadsworth Atheneum, Hartford

23. Bacco (1596-1597) Galleria degli Uffizi, Firenze

Canestra con Frutta (1596) Pinacoteca Ambrosiana, Milano



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